alto douro vinhateiro patrimonio mundial da humanidae
uma noite em viseu
O homem do moinho
Todos os dias ouvimos falar em modernidade, progresso para que as nossas vidas melhorem e o país avance, pouco a pouco a civilização vai mudando o rosto daquilo que nos rodeia, a bem desse mesmo progresso.
Mas e o homem do moinho, que respostas tem, a sociedade do progresso para ele?
Felizmente para o homem do moinho, esta farinha é muito apreciada pelas padarias da região. Tão bem que sabe comer um bocado de broa acabadinha de sair do forno, com um caldo verde e um bom copinho de vinho tinto do Dão claro! Até parece que estamos em casa dos nossos avós.
E do encanto de um lugar único, cada vez mais raro, sim porque pouco a pouco estes moinhos vão sendo substituídos por moinhos eléctricos, moinhos, esses que além de serem mais práticos moem muito mais cereal em menor quantidade de tempo.
Felizmente a farinha moída em moinhos de água é de qualidade muito superior, a mó moí devagar ao sabor da corrente do rio, como um amor que coze em banho de Maria.
Mas e quando o homem do moinho não puder o que vai ser feito disto?
Da alegria e do encanto de estar naquele lugar único o homem do moinho responde, com voz tremida: quando eu não puder isto acaba, ninguém quer pegar nisto, todos querem ser doutores, não estão para matar o corpo com trabalho, em troca de tão pouco rendimento.
E eu pergunto que soluções dar, para não deixar morrer algo único e tão rico em história e cultura?
É que nem tudo que muda, é moderno, mas num tempo em que tanto se fala
Em energias alternativas, seria bom que não se deixa-se perder a sabedoria destas gentes, é que além de moer o milho podíamos também aproveitar estes moinhos e açudes para produzir energia eléctrica, com estes moinho e com outros por esses rios a fora, abandonados íamos produzir tanta ou mais energia que o recente plano nacional de barragens, que prevê a construção de 10 novas barragens, obras megalómanas que tanto impacto ambiental iram causar.
Será, que é esta, a modernidade que queremos?